Camaronês quer se destacar no Elosport para não ter que voltar ao país que está em guerra civil

Jogar o Campeonato Paulista da Segunda Divisão representa para muitos jogadores a oportunidade de jogar seu primeiro torneio profissional e assim buscar espaço em times de divisões superiores. Mas para Oben Valery Egbe, atacante camaronês de 21 anos do Elosport, o torneio representa a oportunidade de permanecer no Brasil e não ter que retornar a seu país, que atravessa uma guerra civil desde 2016.

O jogador está em Capão Bonito desde do começo do ano e sabe que para que seu visto de trabalho seja renovado ele precisa se destacar e assinar contrato com outro clube após o fim da Bezinha para não precisar voltar a camarões.

Família escondida na floresta

O país africano vive um conflito entre as regiões de língua inglesa e francesa que eclodiu após o governo de Yaoundé, capital do país, determinar que apenas o idioma francês seria usado nos tribunais e nas escolas. A decisão provocou violentos protestos que já deixaram mais de duas mil pessoas mortas e 700 mil famílias tiveram que deixar suas casas, dentre elas a de Oben.

O jogador não sabe onde seus familiares estão no momento, a única informação que tem é que eles estão escondidos em uma floresta onde a comunicação por telefone é muito difícil.

“É muito difícil de conversar. Todos estão escondidos na floresta. Muitas famílias estão dormindo lá. E na floresta não tem internet. Faz mais de um mês que não falo com meu pai. E tem a situação da pandemia. Todo dia treino pensando neles. Muita gente morrendo”, conta.

Apesar da preocupação, Oben diz que procura focar no trabalho para conseguir permanecer no Brasil. “Tem guerra lá no meu país. Tenho muitos amigos que já morreram, familiares que perdi. Então todo dia procuro mentalizar que vou fazer um bom trabalho, focar, confiar em Deus”, disse o jogador.

A chegada ao Brasil e oportunidade no Elo

Oben chegou ao Brasil um pouco antes da pandemia e veio com a ajuda de um amigo, que bancou suas passagens de avião. Acompanhado de um agente, primeiramente ele participou de uma peneira na cidade de Macatuba, interior de São Paulo, mas não foi aprovado. Em seguida foi para Santos, onde também não teve sucesso.

A sorte começou a mudar quando um diretor do Elosport ficou sabendo do camaronês e comunicou ao diretor do clube Robson Malta, responsável pela montagem do elenco. Ele realizou alguns testes em Capão Bonito e desde fevereiro ele está alojado no estádio José Sidney da Cunha.

“O Elosport é minha casa. Vou fazer de tudo no campo para o Elosport ser campeão. Trabalho muito, meus companheiros também, diretoria, todos estão motivados para ganhar o campeonato. O futebol é profissional. Dentro de campo deixo todos os problemas de lado e faço meu trabalho”, disse o jogador.

O Elosport estreia no Campeonato Paulista da Segunda Divisão neste domingo (18), quando recebe o Itararé às 15 horas estádio José Sidney da Cunha, em Capão Bonito.