Edição de 10 de setembro de 1997 do jornal Diário de Osasco trouxe a notícia que Osasco e Guapira queriam a eliminação dos "pastelões"
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Arquivo da Bola: Plantão esportivo fake omite resultado e time sai de campo acreditando estar classificado

Nos dias atuais, um jogador nem terminou de comemorar seu gol e do outro lado do mundo já é possível saber que ele balançou as redes. Afinal, as redes sociais e sites de internet estão ai para acompanhar as partidas em tempo real e dar todos os detalhes ao torcedor. Mas nem sempre foi assim.

Até duas décadas atrás, saber o resultado de um jogo de uma divisão inferior do Campeonato Paulista era uma  tarefa árduas, que basicamente consistia em ficar ligado em alguma rádio que passava os resultados no plantão de domingo ou esperar até segunda-feira para comprar o jornal e procurar no rodapé de alguma pagina esportiva o resultado do jogo, isso quando ele saia.

A precariedade em conseguir acompanhar os resultados de uma partida provocou algumas situações como a que vamos contar a seguir, quando uma equipe saiu de campo comemorando a classificação para a fase final de um torneio, mas apenas no dia seguinte se deu conta que estava desclassificada.

A Série B1-B de 1997

Para entender melhor essa história voltaremos ao ano de 1997, mais precisamente para o mês de agosto, quando o Campeonato Paulista da Série B1-B – equivalente a quinta divisão – entrava em sua fase decisiva.

Em setembro daquele ano a competição estava encerrando a segunda composta de dois quadrangulares, que classificaria os dois primeiros colocados para o quadrangular final, de onde sairiam dois times que subiriam pra a B1-A, o que é a Segunda Divisão atualmente.

Faltando uma rodada para o termino da fase, o grupo 1 tinha a equipe do Guarujá com dez pontos e já classificada. Em seguida aparecia o Osasco FC (que não é o ECO, Grêmio Osasco ou Audax) com sete pontos. Oeste e Guapira dividiam a terceira posição com seis pontos.

A rodada final teria Guapira x Osasco no Jaçanã e Oeste e Guarujá em Itápolis. O time da capital tinha dois gols a mais de saldo e melhor ataque. Ou seja, os times que estavam atrás na tabela tinham a vantagem de jogar a última rodada em casa. E isso fez a diferença.

Guapira fez o que precisava

Contando com fator torcida – jogar no Jaçanã nunca foi uma tarefa fácil – Guapira fez o que lhe cabia e bateu o time osaquense, que precisava vencer, por 2 a 1. Mas em ainda faltava saber o que acontecia no interior. E foi ao que começou toda a confusão.

Jornais da época noticiaram que o plantonista esportivo César Roberto, da equipe Furacão de Esportes, da Rádio Difusora Oeste, de Osasco, esteve durante todo o jogo em contato com um suposto plantonista da rádio difusora de Itápolis, que sempre em que era questionado era categórico ao afirmar que lá o placar estava em 0 a 0, resultado, que segundo ele, seguiu até o apito final.

Com o empate no interior e a vitória em casa, o torcedor do Jaçanã saiu do estádio celebrando a classificação para a fase final. No entanto, essa alegria duraria apenas algumas horas. 

A verdade vem à tona

Horas depois do encerramento dos jogos é que finalmente chegou na capital o verdadeiro resultado do jogo. O Oeste não apenas havia vencido o jogo, como também aplicado uma sonora goleada por 8 a 0, o que fez a equipe do interior garantir a vaga no saldo de gols.

Evidentemente que a direção do time paulistano não gostou nada da omissão do resultado, tampouco do resultado anormal, uma vez que a equipe do litoral havia sofrido apenas sete gols em todos os cinco jogos do quadrangular.

Chegou-se até haver uma reunião na Federação Paulista, com os dirigentes do Guapira e também do Osasco. Eles pediam que a dupla fosse eliminada da competição e automaticamente que eles herdassem a vaga.

A Federação chegou a adiar o início do quadrangular final, mas não foi nada além disso. Os times foram mantidos e o Oeste acabou sendo campeão e dando início a uma sequência de acessos, que em pouco tempo levou a equipe para a elite do futebol paulista.

Não temos nada com isso

Dois das depois do fatídico episódio, um repórter do jornal Correio do Povo, entrou em contato com a Rádio Difusa de Itápolis. Ele foi atendido pelo comentarista da equipe de esportas da cidade, chamado Farias, que negou a omissão das informações e disse que nenhum Sidney trabalhava no plantão de esportes.

Ainda de acordo com o jornal, Farias prometeu averiguar a situação e que retornaria no mesmo dia, porém não ligou de volta ou atendeu a novas ligações.  

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